Quando pensamos em bebidas adulteradas, o perigo muitas vezes parece distante, até que tragédias reais ganham as manchetes e nos lembram o quanto esse risco é concreto. O metanol, uma substância química tóxica, tem sido identificado como o causador de um aumento alarmante de casos de intoxicação no Brasil, inclusive com mortes e casos de cegueira súbita. O que pouca gente sabe é que, além dos sintomas sistêmicos, ele pode afetar diretamente o nervo óptico, provocando uma condição chamada neuropatia óptica tóxica. Como optometrista, venho acompanhando de perto esses desdobramentos e quero te ajudar a entender como esse problema acontece, quais os sinais de alerta e o que pode ser feito. Vamos juntos nessa leitura?

Casos de intoxicação por metanol no Brasil: o alerta que reacendeu a preocupação

Nos últimos meses, o Brasil tem enfrentado um aumento preocupante nos casos de intoxicação por metanol, especialmente relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. A gravidade da situação levou o Ministério da Saúde a instalar uma sala de situação específica para monitorar e responder ao surto.

Em São Paulo, foram notificadas 39 ocorrências suspeitas de intoxicação, das quais 10 já foram confirmadas. A situação é tão fora do padrão que, entre agosto e o início de outubro, o número de casos já superou a média anual esperada para o estado. Além disso, o país registra um total de 225 notificações, sendo 16 casos confirmados e 209 ainda em investigação.

Pernambuco também entrou no radar. Até o momento, o estado notificou 28 casos suspeitos, com duas mortes em investigação. As autoridades estaduais já emitiram alertas para a população e reforçaram a vigilância sobre o comércio de bebidas, especialmente em cidades do interior.

Os impactos para a saúde são severos. Em São Paulo, um jovem da zona sul perdeu a visão após consumir gin contaminado, chegou a entrar em coma e precisou ser submetido a hemodiálise. Casos semelhantes também foram identificados no ABC Paulista, com vítimas em São Bernardo do Campo. Em Pernambuco, relatos apontam para quadros de sequelas visuais graves após ingestão de bebidas adulteradas.

Esse cenário reacende um sinal de alerta: o metanol não apenas pode matar, como pode deixar consequências irreversíveis na visão. E diante dessa realidade, a atenção aos sintomas e a escolha consciente das bebidas consumidas se tornam atitudes de proteção à vida.

Por que o metanol está sendo usado em bebidas alcoólicas adulteradas

É natural que a ideia pareça absurda: por que alguém colocaria uma substância tão tóxica em bebidas? A resposta está em motivações econômicas e falhas de fiscalização, e isso torna o metanol ainda mais traiçoeiro.

Desequilíbrio entre custo e margem de lucro

O metanol é barato, relativamente fácil de obter (em certos usos industriais ou como subproduto químico) e misturá-lo a bebidas pode aumentar o volume sem que o falsificador precise investir nos ingredientes legítimos. Em algumas investigações, constatou-se que falsificadores têm utilizado metanol para “aumentar” a concentração aparente de álcool ou diluir bebidas com menor custo, uma fraude com consequências graves.

Falta de detecção sensorial

Uma das características mais perigosas do metanol é que ele não altera de modo óbvio o sabor ou o cheiro da bebida adulterada. Isso significa que alguém pode ingerir metanol sem notar distinção perceptível em termos sensoriais, dificultando sua identificação precoce.

Uso de embalagens reaproveitadas e rotulagem falha

Outra estratégia usada por adulteradores é reutilizar garrafas ou rótulos antigos, sem garantir a originalidade ou autenticidade dos produtos. Bebidas sem lacre, embalagem alterada, rótulos borrados ou sem selo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) são indícios clássicos de adulteração.

Contexto recente e acentuado no Brasil

No surto de 2025, houve confirmação, por exemplo, de dois casos de contaminação por metanol em bebidas no estado do Paraná (dois homens em Curitiba). As amostras de sangue desses pacientes mostraram presença da substância tóxica, o que fortalece a hipótese de que bebidas comerciais (ou aparentemente comerciais) estavam sendo adulteradas com metanol (Agência Brasil, 2025).
Ainda, em São Paulo, o balanço mais recente confirmou 14 casos de intoxicação por metanol, com duas mortes, e investiga 178 notificações com sete óbitos; autoridades apontam que uma das linhas de investigação é justamente a utilização de metanol em garrafas reaproveitadas ou no processo de falsificação (Agência Brasil, 2025).

Consequências para o consumidor e atuação da Vigilância

As consequências para quem consome bebidas adulteradas com metanol são gravíssimas, como veremos nos próximos subtítulos. Diante disso, as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais passaram a intensificar fiscalizações, exigir rastreamento de fornecedores, lacres, notas fiscais e testagem de bebidas suspeitas.

O risco fica ainda mais elevado em locais sem controle rígido, como eventos informais, bares clandestinos, comércios sem documentação ou venda ambulante. Nestes casos, o consumidor está mais vulnerável à exposição ao metanol sem perceber.

Intoxicação por metanol: sintomas visuais e sinais de alerta

Os sintomas da intoxicação por metanol podem surgir em questão de horas, mas também podem demorar até dois dias para aparecer, o que torna a identificação precoce ainda mais difícil. Esse intervalo silencioso entre a ingestão e o início dos sintomas é perigoso, e exige atenção redobrada, especialmente quando falamos dos efeitos sobre a visão.

Sintomas iniciais

Nos primeiros momentos após a ingestão, a pessoa pode apresentar:

  • Dor de cabeça intensa
  • Náusea e vômitos
  • Tontura
  • Fraqueza generalizada
  • Dor abdominal
  • Respiração acelerada

Esses sinais podem ser confundidos com uma simples intoxicação alimentar ou mal-estar comum após o consumo excessivo de álcool. No entanto, se estiverem relacionados ao metanol, evoluem rapidamente para quadros mais graves.

Sintomas visuais: o grande alerta

É aqui que precisamos acender o sinal vermelho. O metanol afeta diretamente o nervo óptico, podendo levar à neuropatia óptica tóxica. Em meu consultório, sempre fico atenta quando um paciente relata alterações visuais repentinas com histórico recente de ingestão alcoólica, é uma pista importante.

Os sintomas visuais mais frequentes incluem:

  • Visão embaçada ou turva
  • Dificuldade de focar ou enxergar detalhes
  • Manchas escuras no campo de visão
  • Fotofobia (sensibilidade à luz)
  • Perda visual parcial ou total, que pode ser súbita
  • Sensação de “olhar através de uma névoa”

Algumas vítimas relatam que “tudo escureceu de repente” ou que “a visão sumiu como se alguém tivesse apagado a luz”. Esses relatos são típicos da ação do metanol no nervo óptico.

Quando desconfiar no consultório optométrico

Se você ou alguém próximo apresentar sintomas visuais súbitos, especialmente após consumir bebidas de procedência duvidosa, a suspeita de intoxicação por metanol deve ser considerada com urgência. No consultório, sinais como diminuição da acuidade visual sem causa aparente, alteração de campo visual bilateral ou fundoscopia com palidez do nervo óptico levantam imediatamente um alerta.

Como optometrista, meu papel é agir rápido nesses casos. Encaminhamento imediato, orientação clara ao paciente e, quando necessário, o início de protocolos complementares para avaliação médica urgente são essenciais.

Diagnóstico da neuropatia óptica por metanol: como o problema é identificado

A intoxicação por metanol pode comprometer irreversivelmente o nervo óptico se não for diagnosticada a tempo. Por isso, o diagnóstico rápido e preciso é vital, tanto em ambiente hospitalar quanto no consultório optométrico. Como profissional da saúde visual, eu acompanho casos em que o olhar clínico, aliado aos exames específicos, faz toda a diferença no prognóstico do paciente.

Avaliação médica e exames laboratoriais

Nos serviços de urgência, o diagnóstico começa com a história clínica detalhada, investigando se houve consumo de bebidas suspeitas. Em seguida, exames laboratoriais são solicitados para detectar o nível de metanol no sangue e identificar os metabólitos tóxicos, como o ácido fórmico, principal responsável pelos danos ao nervo óptico.

Outros parâmetros, como acidose metabólica (queda no pH sanguíneo) e alterações no padrão respiratório, também ajudam a compor o quadro clínico.

Papel dos exames oftalmológicos e optométricos

No consultório, conseguimos observar sinais precoces por meio de exames funcionais e estruturais da visão. Os mais indicados incluem:

Fundoscopia direta ou indireta

Permite observar alterações no disco óptico, como palidez bilateral, que pode aparecer logo nos primeiros dias após a intoxicação. Em alguns casos, o nervo óptico ainda parece normal nos estágios iniciais, o que torna o acompanhamento contínuo essencial.

Campo visual computadorizado

Mostra perdas características, geralmente bilaterais e centrais, que indicam comprometimento da via óptica. A redução de sensibilidade luminosa também pode aparecer precocemente, mesmo antes da perda visual total.

Acuidade visual

Reduções rápidas e inexplicáveis de acuidade visual, especialmente quando simétricas entre os olhos, são fortes indícios. Muitas vezes o paciente relata visão turva, mas não consegue mensurar exatamente o quanto enxerga menos, cabe a nós investigar isso com precisão.

Tomografia de coerência óptica (OCT)

Em centros especializados, esse exame permite observar o afinamento da camada de fibras nervosas da retina, uma confirmação estrutural da lesão óptica.

A importância do olhar clínico optométrico

Em meu atendimento, sempre considero o contexto do paciente. Quando há queixa visual súbita associada a sintomas sistêmicos ou relato de ingestão de bebida não confiável, a suspeita de neuropatia tóxica entra imediatamente no radar. Encaminho o paciente para avaliação médica urgente e mantenho o acompanhamento optométrico para monitorar evolução ou recuperação visual.

Tratamento para intoxicação por metanol: o que pode ser feito para evitar a cegueira

Quando o metanol é ingerido, ele não causa dano imediato ao olho, o problema verdadeiro surge a partir dos metabólitos formados no organismo, em especial o ácido fórmico, que é tóxico para o nervo óptico. Portanto, o tratamento visa duas frentes principais: impedir a formação desses metabólitos tóxicos e eliminar os já acumulados. Além disso, intervenções neuroprotetoras podem auxiliar na preservação da visão.

Intervenções médicas essenciais

Antídotos para bloquear o metabolismo do metanol
O metanol é convertido em formaldeído e após isso em ácido fórmico, que é o agente tóxico para as células do nervo óptico. Para interromper esse processo, administram-se antídotos que competem com o metanol pela enzima álcool desidrogenase:

  • Etanol: quando dado em doses específicas por via intravenosa ou oral, o etanol compete com o metanol pela enzima, retardando sua conversão para o ácido fórmico
  • Fomepizol: mais seguro e eficaz, não produz os efeitos colaterais do etanol, e é considerado padrão em muitos protocolos modernos
Essas terapias são recomendadas logo no início, preferencialmente nas primeiras 24 horas após a ingestão, para reduzir a produção de ácido fórmico. (Conforme artigos de oftalmologia e toxicologia recentes)

Correção da acidose metabólica e suporte clínico
O acúmulo de ácido fórmico causa acidose metabólica, que agrava o dano celular. Administrar bicarbonato de sódio venoso é uma medida comum para tamponar essa acidez.

Eliminação extracorpórea do metanol e seus metabólitos
Nos casos moderados a graves, a hemodiálise é essencial para remover metanol e ácido fórmico do sangue de forma rápida. Também pode ser utilizada hemofiltração ou técnicas afins, conforme o protocolo hospitalar e a gravidade do quadro clínico.

Uso de folatos / ácido fólico (ou folínico)
Como parte da metabolização do ácido fórmico exige enzimas dependentes de folatos, a administração de ácido fólico ou folínico pode auxiliar o organismo a neutralizar parte do ácido tóxico.

    Terapias adjuvantes e neuroproteção visual

    Além do tratamento padrão para intoxicação, algumas intervenções visam preservar ou recuperar a função visual:

    • Corticosteroides: uso de metilprednisolona em altas doses tem sido testado como forma de reduzir a inflamação e dano ao nervo óptico
    • Eritropoietina (EPO): estudos relatam benefícios da EPO intravenosa ou intravítrea em casos de neuropatia óptica por metanol, com melhora da acuidade visual em determinados pacientes, quando aplicada dentro de um período relativamente curto após a intoxicação
    • Antioxidantes e substâncias neuroprotetoras: em pesquisas experimentais, compostos como melatonina têm demonstrado efeitos benéficos na redução do estresse oxidativo e preservação das fibras do nervo óptico
    • Terapias combinadas: em casos documentados, combinações de EPO + esteroides + folínico produziram recuperação visual parcial, mesmo em pacientes que já tinham cegueira bilateral completa — embora os resultados sejam variáveis e dependam de muitos fatores como tempo até o tratamento

    Um exemplo notório é o relato de um paciente de 27 anos que, após 3 dias de cegueira bilateral, foi tratado com EPO subcutânea, folínico e metilprednisolona, obtendo melhora visual significativa após a terapia combinada. Isso reforça a importância de ação rápida e integrada no manejo da intoxicação visual (relato de caso recente).

    Importância do diagnóstico e tratamento precoce

    Quanto mais rápido o tratamento for iniciado, idealmente nas primeiras 24 a 48 horas após a ingestão, maior a chance de reduzir o dano ao nervo óptico e prevenir sequelas irreversíveis. Quando o diagnóstico é tardio, a eficiência das terapias diminui, e a recuperação completa da visão torna-se menos provável.

    Como optometrista, meu papel é crucial na identificação precoce das alterações visuais, encaminhamento imediato ao atendimento médico especializado e acompanhamento contínuo da evolução visual do paciente. Em casos de suspeita de intoxicação por metanol, o paciente deve ser orientado a buscar um hospital com serviço de toxicologia o mais rápido possível, antes mesmo da perda visual se tornar irreversível.

    Sequelas da intoxicação por metanol: o que esperar do prognóstico visual

    Mesmo quando a vida do paciente é salva, a intoxicação por metanol frequentemente deixa marcas profundas, e uma das mais comuns e impactantes é a perda visual. Infelizmente, o nervo óptico é altamente sensível aos efeitos tóxicos do ácido fórmico, e os danos podem ser irreversíveis, especialmente se o tratamento não for iniciado rapidamente.

    Cegueira e baixa visão: um desfecho mais comum do que se imagina

    A neuropatia óptica tóxica por metanol pode causar desde uma perda parcial até a cegueira total. Muitos pacientes que sobrevivem à intoxicação relatam que a visão nunca mais voltou ao normal. A acuidade visual pode permanecer muito reduzida, dificultando atividades simples do dia a dia, como ler, caminhar com segurança ou reconhecer rostos.

    Em São Paulo, por exemplo, uma das vítimas do surto de 2025, um jovem de 27 anos, perdeu a visão logo após consumir uma bebida adulterada com metanol. Mesmo após internação, hemodiálise e suporte clínico intensivo, a cegueira bilateral se instalou de forma permanente.

    Outros relatos vindos de Pernambuco e do Paraná também descrevem pacientes com sequelas visuais graves após ingestão de bebidas contaminadas. Em alguns casos, mesmo pessoas que não chegaram a desenvolver sintomas sistêmicos graves acabaram com perda visual parcial irreversível.

    A importância do acompanhamento optométrico e emocional

    Embora eu ainda não tenha atendido diretamente pacientes com neuropatia óptica por metanol, acompanho com atenção os desdobramentos desses casos no cenário nacional e, como profissional da saúde visual, compreendo profundamente os impactos que essa condição pode causar.

    A perda visual decorrente da intoxicação por metanol pode afetar não apenas a capacidade de enxergar, mas também a autonomia, a autoestima e a qualidade de vida da pessoa. Por isso, é essencial que, após o atendimento emergencial, o paciente receba acompanhamento contínuo, inclusive com profissionais da optometria.

    Em casos como esse, o trabalho optométrico pode colaborar com a avaliação funcional da visão remanescente, indicação de recursos ópticos e não ópticos que facilitem a vida diária e encaminhamento para serviços especializados em reabilitação visual. Além disso, o suporte emocional, muitas vezes feito em parceria com psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, é um pilar fundamental da recuperação.

    Mesmo que nem toda perda visual seja reversível, com orientação adequada, o paciente pode encontrar formas de manter sua independência e se adaptar à nova realidade visual.

    Reabilitação visual após intoxicação por metanol: como a optometria pode ajudar

    A recuperação de pacientes intoxicados por metanol não termina na alta hospitalar. Quando há comprometimento visual, entra em cena uma nova etapa do cuidado: a reabilitação. É nesse ponto que a optometria pode fazer uma grande diferença na vida do paciente, ajudando a transformar limitação em funcionalidade.

    O que é reabilitação visual?

    Reabilitar a visão não significa devolver a acuidade visual original, mas sim explorar ao máximo o potencial visual remanescente da pessoa. Para isso, utilizamos técnicas, estratégias e tecnologias que permitem que o paciente volte a realizar tarefas básicas com mais autonomia.

    A reabilitação pode incluir:

    • Treino de movimentos oculares e uso do campo visual preservado
    • Técnicas de ampliação e contraste
    • Estratégias de organização do ambiente para facilitar a orientação espacial
    • Orientação sobre dispositivos de auxílio, como lupas, filtros, lentes prismáticas e leitores eletrônicos

    Avaliação funcional e plano individualizado

    No consultório optométrico, cada paciente passa por uma avaliação funcional da visão, que é diferente dos exames de rotina. Nela, analisamos como a pessoa utiliza a visão no dia a dia, o que consegue enxergar, em que condições, quais atividades têm mais dificuldade e quais adaptações podem ser feitas.

    A partir desse levantamento, elaboramos um plano de ação personalizado, que pode envolver desde o uso de recursos ópticos até a orientação para outros profissionais da equipe interdisciplinar, como terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos ou educadores.

    Tecnologia como aliada

    Avanços tecnológicos também têm ampliado as possibilidades de reabilitação. Óculos eletrônicos com ampliação automática, sistemas de leitura por voz, aplicativos de acessibilidade e filtros específicos de contraste são alguns exemplos de ferramentas que podem ser incorporadas à rotina visual de quem perdeu parte da visão por intoxicação ou outras causas.

    O olhar além da técnica

    Mais do que oferecer soluções ópticas, o trabalho da optometria na reabilitação visual exige escuta, acolhimento e sensibilidade. É sobre enxergar a pessoa além do sintoma, ajudando-a a construir uma nova relação com a própria visão, mesmo que ela tenha mudado.

    Como prevenir a intoxicação por metanol e orientar outras pessoas sobre o risco

    Prevenir é o melhor caminho, especialmente em um contexto de surto. Aqui vão medidas concretas que você e a comunidade podem adotar:

    Prefira bebidas de procedência confiável

    Compre destilados apenas em estabelecimentos regulamentados, que forneçam nota fiscal, tenham selo de garantia e embalagem com lacre de segurança. Desconfie de garrafas sem rótulo, sem selo ou reembalagens improvisadas.

    Verifique sinais de adulteração

    Antes de consumir, observe:

    • Embalagem violada, tampa solta ou lacre rompido
    • Rótulo borrado, marcas apagadas ou repetidas
    • Aromas estranhos ou variação no sabor
      Esses indícios podem sugerir adulteração.

    Evite bebidas de origem duvidosa

    Quando for a festas, eventos informais ou estabelecimentos pequenos sem estrutura, evite aceitar bebidas trazidas por desconhecidos ou bebidas “casadas” (misturas improvisadas). Use vidro lacrado ou garrafas fechadas.

    Eduque e oriente sua rede

    Compartilhe informações com amigos, familiares e redes sociais: alerte sobre a periculosidade do metanol, sintomas iniciais e a importância de buscar atendimento rápido. A disseminação consciente de informação salva vidas.

    Busque informações com profissionais da saúde visual

    Optometristas e outros profissionais da saúde visual têm um papel importante na orientação da comunidade sobre os riscos do metanol. Em momentos de surto, é comum que clínicas, postos de saúde e campanhas educativas abordem esse tema. Você pode:

    • Procurar materiais informativos em consultórios optométricos ou unidades de saúde
    • Participar de eventos e palestras locais que falem sobre prevenção de intoxicações
    • Compartilhar conteúdos confiáveis com familiares, amigos e redes sociais
    • Conversar com profissionais de confiança sempre que tiver dúvidas sobre sintomas visuais

    A informação correta, no momento certo, pode evitar situações graves. Não hesite em buscar orientação, é para isso que estamos aqui.

    Exija fiscalização ativa

    Pressione autoridades locais para que intensifiquem a fiscalização de bares, distribuidoras e ambulantes. O surto atual levou o Ministério da Saúde a emitir nota técnica determinando notificação imediata de casos suspeitos, o que reforça a necessidade de vigilância em todo o país.

    Ao menor sinal, procure ajuda médica

    Se alguém relatar náusea persistente, visão turva ou alterações visuais após ingerir bebida alcoólica, não espere. Orientar essa pessoa a buscar pronto atendimento imediatamente pode fazer diferença entre recuperação visual ou sequelas permanentes.

    Metanol e neuropatia óptica: compartilhe este alerta de saúde pública

    A intoxicação por metanol é silenciosa, rápida e pode deixar sequelas visuais irreversíveis. O que começa com um mal-estar ou visão embaçada pode evoluir para a perda completa da visão, ou até da vida. Diante do surto que estamos vivendo no Brasil, é fundamental que todos saibam reconhecer os sinais de perigo e tomem atitudes preventivas.

    Mesmo que você nunca tenha passado por isso, a informação que recebeu aqui pode ajudar alguém ao seu redor. Compartilhe esse conteúdo com sua rede, alerte amigos e familiares sobre os riscos de bebidas sem procedência e incentive o consumo responsável.

    Se você estiver com qualquer sintoma visual diferente, principalmente após ingerir bebidas suspeitas, não espere. Busque atendimento médico imediatamente. E, para uma avaliação visual mais detalhada, conte com o apoio de um optometrista de confiança.

    A prevenção começa com a informação. E a sua atitude pode salvar vidas.

    Referências bibliográficas

    Agência Brasil. Notificações por intoxicação com metanol sobem para 43 no Brasil. Outubro de 2025.
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    G1. Brasil tem 195 notificações de intoxicação por metanol. 4 de outubro de 2025.
    https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2025/10/04/brasil-tem-195-notificacoes-de-intoxicacao-por-metanol.ghtml

    Ministério da Saúde. Confirma 225 registros de intoxicação por metanol após ingestão de bebida alcoólica. Outubro de 2025.
    https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/outubro/ministerio-da-saude-confirma-225-registros-de-intoxicacao-por-metanol-apos-ingestao-de-bebida-alcoolica

    CNN Brasil. Metanol em bebidas: veja quem são as vítimas de casos de intoxicação. Outubro de 2025.
    https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/metanol-em-bebidas-veja-quem-sao-as-vitimas-de-casos-de-intoxicacao

    CNN Brasil. 39 casos e 6 mortes suspeitas: veja dados de intoxicações por metanol em SP. Outubro de 2025.
    https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/39-casos-e-6-mortes-suspeitas-veja-dados-de-intoxicacoes-por-metanol-em-sp

    CNN Brasil. Tratamento para intoxicação por metanol. Outubro de 2025.
    https://www.cnnbrasil.com.br/saude/tratamento-intoxicacao-metanol

    Marco Zero Conteúdo. Pernambuco registra três casos suspeitos de intoxicação por metanol. Outubro de 2025.
    https://marcozero.org/pernambuco-registra-tres-casos-suspeitos-de-intoxicacao-por-metanol

    BBC News Brasil. Metanol: por que substância tóxica usada em bebidas pode causar cegueira. Outubro de 2025.
    https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgqz2n350eo

    CBO – Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Neuropatia óptica por intoxicação por metanol.
    https://www.cbo.net.br/novoportal/medico/artigos/neuropatia-optica-intoxicacao-metanol

    Manual MSD. Neuropatia óptica – causas e tratamento.
    https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-do-olho/ambliopia-e-defici%C3%AAncia-visual/neuropatia-%C3%B3ptica

    Veja Saúde. Veneno no copo: intoxicação por metanol não acontece só no Brasil.
    https://veja.abril.com.br/coluna/mens-sana/veneno-no-copo-intoxicacao-por-metanol-nao-acontece-so-no-brasil